1 de março de 2013

Distância involuntária

Esse texto traduz alguns de meus sentimentos ultimamente, e tem a autoria de Daniela Lusa



Dia desses, estava eu organizando uma gaveta e encontrei umas fotos. E sorri. As fotografias guardam, além de imagens e lembranças, algumas emoções. Sentei-me e comecei a lembrar daquelas pessoas, daqueles sorrisos, de tantos momentos vividos juntos. Deu saudade. Guardei, então, a foto com todas as suas lembranças e com umas dúvidas, também. Afinal, o que aconteceu com aquelas pessoas, com aqueles sorrisos, com aqueles momentos? Simplesmente, perderam-se. Sumiram. Desapareceram. 

É engraçado como algumas pessoas saem da nossa vida tão rapidamente quanto entraram, não? Estive pensando em algumas pessoas que sumiram repentinamente da minha vida. Tentei lembrar o motivo de nosso distanciamento, mas não consegui. Claro que algumas eu mesma afastei, mas não é a essas que me refiro. Sabe quando você simplesmente deixa de falar com a pessoa, sem motivo aparente? Não sei se sou eu que fujo ou se é a pessoa que se afasta. O fato é que se você sente que precisa se aproximar, talvez a pessoa esteja se distanciando. É como se a gente fosse se perdendo com o tempo e se prendendo a lembranças. Ou não. A pior parte disso tudo é quando o afastamento acontece de uma hora para outra, sem motivos, sem explicações. Não entendo. E aí sempre surge a paranoia: “o que eu fiz de errado dessa vez?” Pois eu digo: nada. Absolutamente nada. O que está errado é essa falta de “se importar” que há em muitas pessoas. O errado está nessa falta de “querer bem” a alguém. O problema é que as pessoas, quase sempre, sentem de menos e se afastam demais. Há quem se afaste por medo de ficar sempre junto. E há quem queira ficar longe porque nunca quis se aproximar de verdade. Há quem se esconda no silêncio para se isolar. Talvez, para se encontrar. Talvez, por não saber o que dizer. E foge. Disso tudo, fica sempre alguém esperando por uma palavra, por uma resposta. As palavras se calam, a espera continua e só chega o silêncio. Mas, aos poucos, a gente vai se acostumando a trocar silêncios e entende o que a pessoa quis dizer com as palavras que calou. Já tentei me aproximar de pessoas que estavam querendo se distanciar de mim. Já me afastei de quem queria ficar perto. Já estive perto mesmo estando longe. Já estive junto sem estar. E é estranho se sentir distante de quem nunca de fato esteve perto. A distância desfaz sorrisos. A ausência deixa um espaço vazio. O tudo, de repente, vira nada. E as palavras dão lugar ao silêncio. O problema é que palavras não ditas também magoam.


Afinal, com quantos silêncios se faz uma saudade?

Um comentário:

  1. Oi Joyce!
    Bonito o texto de Daniela. Penso que ninguém tem a resposta para a saudade, só sei que ela domina a todos. [sorrio]
    http://jefhcardoso.blogspot.com lhe convida e espera para ler e comentar “O Grande Circo Nonsense – Vila Abranches”. Abraço e bom final de semana.

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