2 de fevereiro de 2015

Escândalos Neonasais

Não sei lidar com oscilações mentais. Sobretudo as que dizem respeito a mim. Um vazio globular preenche o peito de lava quente e esfria o leito sem hesitar, as palavras nunca devoradas suprimem qualquer ânsia estomacal profunda. Antigamente, era plausível saber o que fazer, tal qual como corresponder às invariabilidades da existência. Prazer de abrir as asas, ecoar em um moinho feito água na pedra, ganhar o mundo e ser vento da natureza inconstante.
Eu, tão pássaro, tão alto voo, não me basta poder caminhar caminhos, tropeçar em espinhos e alçar o meu lugar, só me resta estar sozinho, desvairando meu pobre e promissor destino, sucumbir com clareza os devotos desejos secretos da minha alma caluniosa que mente pro seu próprio carma quando lhe convém. Antífonas menos sonoras expressariam exatamente o que eu dizia agora, era catarse, ou uma leve mimese de algo que eu não sabia até ontem?
Hoje, provo a eu mesmo que a carne traz dentro de si um vazio indestrutível que perdura quanto menos posso me embriagar de conjecturas afáveis, e, certa de que sim, espalho coisas sem saber ao chão, na certeza de que o que deixei, verei de longe sem poder tocar, por ter asas de mais pra ficar ao relento do solo, e uma manada de sonhos pra não subir mais fundo, a penetrar galáxias de experiências e sentimentos desconhecidos fruto de toda e qualquer exploração de encantamento ínfimo, a pele fulgaz de quem não sabe o que quer, mas tem o mar atracado no porto que não faz raízes, porque sua casa é qualquer lugar.

Joyce Gabriella Barros

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