10 de abril de 2015

O inevitável, o lado doce do fortuito

Illustration: Ismael Álvarez
É, aos poucos a ficha vai caindo, o tempo vai afunilando a cada vez que as notícias se tornam concretas acerca daquilo que a gente já espera porém não quer tomar como verdade absoluta e põe em vigor o quanto possa. 
O que nos resta? Profundamente, não ansiar ou esperar pelo dia que vem, ser feliz, viver os dias como cada um, lado a lado, esperando, tentando, sobrevivendo. 
Eu sinto, mas sinto muito, muito desejo de que o futuro fale por si e deixe o tempo ser o que ele quiser ser, e tomemos como memória fazer o contínuo tornar-se cada vez mais vívido. Que o destino consiga decifrar os nós, e explicar, talvez, os porquês de cada ato, de cada pergunta, de cada ausência de solidão nos momentos menos oportunos. 
A dor vai existir, mas não vai fazer moradia, já que a felicidade não é subjetiva quando você sabe que senti-la é questão de deixar ela entrar ou não na sua alma. Dicotomias acontecem, e cabe à sorte dos transeuntes colidirem mais uma vez no percurso ou não. 
Os sentires falarão mais alto, desde o instante em que a unicidade do tempo fora amarrada nos céus da dúvida, ficando lá, esperando para viver o todo não tempestivo e ser acontecido por mais uma única vez, como se não houvesse amanhã, como se o sempre fosse uma decisão e o fruto da ordem fosse um mistério para o qual nunca precisaremos questionar, porque as paixões mais fortes, se constituem através das rupturas sem porquês, de intensidades sem razão, onde o inevitável e o lado doce do fortuito são vívidos, explícitos.

Joyce Gabriella Barros.

O eterno as vezes dura apenas um segundo. Lewis Carroll.

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