29 de julho de 2016

Guarde e morra sufocado

Há uma lacuna inversa ao esconder o que está sendo sentido, esconder do outro, do mundo, esconder de si. Simplesmente ignorar, fingir que não há, guardar a dor para que ela apodreça e morra em sua própria companhia. Sem ninguém saber o que passa, evita transparecer a mínima migalha de sentimentos negros pro exterior do eu. Em contrapartida, atos mandam recados, sinais, jogam sujo, esfregam a cara no asfalto ao mostrar o que realmente está passando do lado de dentro, e o coração fica a ponto de petrificar. Triplicando condolências, o ato de mascarar torna tudo subjetivo e na maioria das vezes, sofre irremediável, agredido, por estar sendo terrivelmente incompreendido.
Ser dono de uma sensibilidade infinita é um fado, por tudo que está envolto ser sentido com uma força maior do que pode ser descrito em escalas ou porcentagens, e viver por viver, é tentar um dia após o outro matá-la, tentar não sê-la, caminhar alheio a ela. 
Tomando como dificultoso, soa como se estivesse prestes a chegar ao topo do limite, não sabendo mais ao que recorrer, por tanto ser mal interpretado e caluniado. Consternação visceral é lamentar que a tudo se deu, a tudo tudo se doou, e que pra facilitar talvez seria mais fácil fazer um apanhado de toda propriedade e simplesmente jogá-la abaixo, matar e sufocá-la aos prantos para que agonize, dure poucos instantes e vá embora para nunca mais. Mas fica a questão, seria essa a melhor opção? Qual a viabilidade? Sentimentos não ditos não dissipam no ar e voltam como fantasmas em meio às terríveis arestas da indecisão.

Uma dor não destruída regressa mil vezes mais forte e dolorosa. 
Guarde e morra sufocado. 

Joyce Gabriella Barros, 
4 de Julho de 2016.

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